Lula nega envolvimento com obras no sítio de Atibaia; assista na íntegra

Ex-presidente prestou depoimento nesta quarta (14), na Justiça Federal do Paraná

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, não se tinha um registro novo de sua imagem ou voz. Da PF, Lula se comunica com o povo através das pessoas que o visitam ou de bilhetes escritos à mão. Nesta quarta-feira (14), a população brasileira pôde ver e ouvir o ex-presidente pela primeira vez depois de 223 dias, em gravação do depoimento prestado à Justiça Federal do Paraná.

Logo no início do depoimento, Lula pediu à juíza substituta Gabriela Hardt que explique qual é a acusação que pesa contra ele. “Doutora eu gostaria de perguntar para esclarecer, porque estou disposto a responder toda e qualquer pergunta: eu sou dono do sítio ou não?”, completando com a afirmação “quem tem que me responder é quem me acusou”.

A denúncia do Ministério Público é de Lula seria beneficiário de reformas custeadas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht em um sítio em Atibaia, interior de São Paulo, frequentado por Lula e sua família e de propriedade de Fernando Bittar. As obras teriam totalizado mais de R$ 1 milhão.

Perguntado sobre a possibilidade de que sua esposa, Marisa Letícia, tivesse solicitado obras às empreiteiras, Lula afirma que “ficou fácil citar o nome de Dona Marisa, porque ela morreu”. O ex-presidente explicou que Dona Marisa era quem cuidava das finanças pessoais do casal e que tinha total confiança na responsabilidade da esposa. “Não acredito que a Marisa tenha feito alguma coisa que possa resultar em ela não pagar alguém. Se ela não pagou, é porque alguém convenceu ela de que não precisava receber”.

Os indícios utilizados para relacionar Lula ao uso do sítio são registros de visita e a existência de bens pessoais do ex-presidente no sítio. O ex-presidente afirmou que frequentava o sítio desde 2011, com a própria família e com o pai do proprietário, Jacó Bittar, e que não era estranha existência de bens pessoais seu no local. “Se você invadir um quarto de hotel onde eu estou, você vai encontrar todos os pertences meus lá. É meu esse quarto?”, indagou Lula.

O interrogatório durou quase três horas, com perguntas baseadas na relação de Lula com o sítio e com os empresários das empreiteiras envolvidas na denúncia. Por diversas vezes, o ex-presidente foi interrompido pela juíza Gabriela Hardt, gerando a contestação da defesa, sob alegação de que “do tempo gasto do interrogatório, ele [Lula] só falou 50%”. Ao que Hardt respondeu, afirmando “eu vou permitir que ele conclua as respostas, mas se ele desviar do tema, eu vou interromper”.